sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Que seja uma boa colheita

“Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.” (Francisco Buarque de Holanda)

Estar frase de Xico Buarque ilustra exactamente o que sinto, eu realmente perdi-me de mim própria e ando à procura em vão pela minha alma. Estou perante a solidão que me invade e penetra de uma forma cruel. Gostava de ver uma luz ao fundo do túnel, uma luz reveladora, de um sinal, por mais pequeno ou quase insignificante que fosse, mas algo que eu pudesse agarrar com unhas e dentes e assim dar mais sentido à minha existência.
A dúvida existencial persiste, o que faço neste mundo? Eu acho que cada um de nós deve a sua existência a uma missão. Mas qual é a minha missão? Não será a de todos nós?! Descobrimo-nos a nós próprios e com esse trunfo entregarmo-nos a quem nos merece. Surge outra questão: como saber que nos merece? É uma pergunta pertinente. Partimos às escuras para um universo recôndito e misterioso, onde somente alguns poderão descortinar se realmente vale a pena partirmos para tal aventura. Saber distinguir o real do fictício requer experiência. As pessoas enganam e as aparências iludem. A entrega exige precaução, aquela nunca poderá ser total mas parcial e se possível imparcial. Sem preconceitos nem antecedentes, que só nos poderão afastar da pessoas a quem nos entregamos. Que essa ínfima parcela seja partilhada de uma forma verdadeira. Pode parecer pouco, mas se for bem intencionada poderemos receber da mesma forma que damos, algo muito mais superior do que algum dia imaginávamos. E o contentamento é maior quando não estamos à espera de receber. Há uma maior entrega, uma real partilha e uma dialéctica interactiva. Nesse momento duas mentes cruzaram-se e geraram confiança uma na outra. A troca de ideias e de experiências de vida é deveras saudável e devem ser aprofundadas.
O cultivo da entrega e da troca de aprendizagem implica uma plantação cuidada, com todos os tratamentos necessários e se possível com uma estaca, pela qual a “entrega” poderá crescer e dar frutos. Todos nós precisamos de uma estaca pela qual crescemos com mais certezas e solidez. Mas um dia a estaca desaparecerá e teremos de crescer sozinhos. E é nesse momento que a vida nos faz um teste, será que somos capazes de sobreviver ás mais terríveis tempestades? Se nos mantivermos de pé já é um sinal de amadurecimento e os frutos poderão ser colhidos. Que seja uma boa colheita e que os frutos seja saboreados de uma forma intensa e que o seu paladar se perpetue.

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