segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O sopro

Enaltecer, sobrevalorizar, emancipar…são verbos utilizados no meu vocabulário, parecem ter o mesmo significado mas são complementares. Eu ao sobrevalorizar algo estou a enaltece-lo e poderei emancipá-lo, ou não, ao elevar algo para um patamar superior não implica a sua independência, poderá ser uma liberdade provisória com riscos e consequências. É preciso ter cuidado com o que realçamos, poderemos cair no ridículo e o castelo poderá desmoronar-se ao mínimo sopro.

A estrada


Um percurso, uma orientação de vida, um agarrar a um sentido que nos faz continuar. Presa a mim própria, sigo o caminho que escolhi, não olho para trás, já chega de recordações passadas. Quero viver o “agora” como se fosse o último momento que me resta. Do outro lado da estrada poderás estar tu. É só uma possibilidade pouco provável, mas desejada e sentida.
Já aprendi a andar sozinha, com ou sem companhia, prefiro estar entregue a mim própria, assim sei com o que posso contar, sem desilusões sigo o meu caminho.


A imagem difusa

Preencher um vazio. Inundar um lugar de vivacidade e de força. Impulsionar um impulso, redundância circunstancial, perdida no tempo, descoberta algures. Procuro por ti no cair da noite, na escassez de sentimentos partilhados, agarrada simplesmente à tua imagem difusa. Procuro em vão pela tua alma, perdida e adormecida. Já não moras em mim. Sem te poder ver e tocar, a recordação que tinha tua esvaneceu-se e caiu por terra, dilui-se e perdeu-se pelo emaranhado dos meus pensamentos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Contributo

Mergulhar no mundo dos afectos, sentir o que não senti antes.
Deixar-me levar e sentir-me embalada por acontecimentos nunca antes vividos.
Vive e deixa viver os outros.
Não deixes que ninguém te impeça de viver.
Aposta em ti e tira partido do fugaz.
Abre alas para o desconhecido e marca a diferença que há em ti.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O prazer de viver

Devorar sem sentido e apreciar o gosto pela vida.
Viver e reviver, simplesmente fazer acontecer.
Faz acontecer o que ainda não apareceu em ti.
Recorrer e correr atrás do vento,
senti-lo vezes sem conta e
ter o prazer de sentir que estamos vivos.

Abro os olhos


Berro, mas ninguém me ouve.
Grito, mas ninguém dá por mim.
Abro os olhos e vejo o que ainda ninguém viu.
Quero descobrir por mim o que ainda não conheço.
Quero alcançar sem ajudas,
o que ainda continua preso a mim e
que se encontra no mais recôndito do meu ser.


Grito por mim

Abraçar-me, retrair-me simplesmente agarrar-me.
Puxa-me, liberta-me das tuas garras.
Quero e procuro o que ainda não encontrei.
Quero fugir para dentro de mim.
Encontrar-me no desconhecido que não reconheço.
Deixem-me passar por aquela minúscula janela,
onde grito por mim e escondo-me de mim própria.
“ Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje quando me sinto
É com saudades de mim.”

Mário Sá-Carneiro

Um lugar perto de mim


Vê o infinito ao longe, percorre montanhas, sobrevoa planícies e descobre o desconhecido, nunca perdendo o norte. Encontra-te num vale despido mas coberto de significado e repleto de vivências, tuas ou minhas. Apenas redescobre-te num oceano perdido e vasto, onde tu apenas tu és uma partícula numa imensidão de cores pintadas aleatoriamente. Cobre-te até ao horizonte sem parâmetros pré-estabelecidos, apenas veste-te de folhas gastas pelo tempo. Tempo, intempérie, tempestade sem fim, perto ou longe, um lugar perto de mim.